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Lipedema, hormonas e tecido adiposo: um novo modelo científico que abre novas perguntas

O que acontece realmente nos tecidos de uma pessoa com lipedema? Porque é que a doença parece surgir ou tornar-se mais evidente em determinados momentos da vida? Qual é o papel das hormonas? E como se relacionam tecido adiposo, microcirculação, sistema linfático, inflamação, metabolismo e tecido conjuntivo?

Apesar dos importantes avanços científicos dos últimos anos, continuamos sem ter todas as respostas.

Um artigo publicado a 22 de julho de 2026 na revista científica Frontiers in Cell and Developmental Biology propõe uma nova forma de organizar algumas das peças deste complexo puzzle.

O trabalho, intitulado “Lipedema as a hormone-sensitive stromal disorder: a four-pathway translational framework”, é da autoria de Diogo Pinto da Costa Viana, Adriana Luckow Invitti e Eduardo Schor, investigadores ligados ao Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O artigo está também indexado no PubMed e disponível no PubMed Central (aqui).

Mas existe uma informação fundamental para compreender corretamente o seu significado:

não estamos perante um estudo experimental que tenha descoberto a causa do lipedema, nem perante um ensaio clínico ou uma nova orientação terapêutica.

A própria revista classifica-o como um artigo de “Hypothesis and Theory” — Hipótese e Teoria.

Um artigo avaliado por especialistas de áreas diretamente relacionadas

Um elemento relevante para o enquadramento deste trabalho é o seu processo de revisão científica.

O artigo teve como editora Sara Al-Ghadban, da University of Virginia (Estados Unidos), investigadora com trabalho publicado diretamente na área do lipedema, incluindo investigação sobre tecido adiposo, células estromais, inflamação, angiogénese e alterações microvasculares.

A revisão por pares foi realizada por Vincenza Cifarelli, da Saint Louis University (Estados Unidos), cuja investigação abrange metabolismo, tecido adiposo e biologia vascular e linfática, e por Manuel Eugen Cornely, do LY.SEARCH – Institute for Basic Research in Lymphology (Alemanha), médico e investigador com extensa atividade na área da linfologia e do lipedema.

Este enquadramento é relevante porque significa que o modelo proposto foi submetido à apreciação de especialistas com conhecimento em áreas diretamente relacionadas com os mecanismos discutidos no artigo.

Contudo, importa fazer uma distinção fundamental: a revisão por pares avalia a qualidade, coerência, fundamentação científica e adequação de um trabalho para publicação; não significa que todas as hipóteses nele propostas tenham sido experimentalmente comprovadas.

O artigo continua, por isso, a dever ser interpretado de acordo com a classificação atribuída pela própria revista: “Hypothesis and Theory” — Hipótese e Teoria.

Os autores deste trabalho agora publicado procuram reunir conhecimento proveniente de diferentes áreas e propõem um modelo conceptual que deverá agora ser testado pela investigação.

Uma proposta: olhar para o lipedema através do microambiente dos tecidos

Os autores propõem que o lipedema possa ser entendido como a expressão predominantemente adiposa de uma possível vulnerabilidade do estroma sensível às hormonas (ver glossário).

A expressão parece complexa, mas a ideia pode ser explicada de forma relativamente simples.

Quando pensamos no tecido adiposo, podemos ter tendência a pensar apenas nos adipócitos (ver glossário) – as células que armazenam gordura.

Na realidade, o tecido adiposo é muito mais do que isso.

Os adipócitos encontram-se num verdadeiro microambiente, onde coexistem vasos sanguíneos, vasos linfáticos, células imunitárias, fibroblastos, células estromais, matriz extracelular e inúmeras moléculas que permitem a comunicação entre todas estas estruturas.

É neste contexto que surge o conceito de estroma (ver glossário).

Assim, em vez de perguntar apenas: “O que está diferente no adipócito?”

o modelo convida-nos a fazer uma pergunta mais abrangente: “O que poderá estar diferente no ambiente biológico onde estas células vivem e comunicam entre si?”

 

Os autores organizam o modelo em quatro grandes vias biológicas:

  1. Vulnerabilidade estromal-adiposa intrínseca
  2. Sensibilidade às transições hormonais
  3. Amplificação metabólico-comportamental
  4. Comorbilidades ginecológicas e endócrinas

Estas quatro vias não são apresentadas como quatro causas independentes do lipedema.

A hipótese é que possam interagir entre si, assumindo eventualmente pesos diferentes em diferentes pessoas.

Isto poderá ajudar a investigar uma característica que conhecemos bem na prática: o lipedema não se manifesta exatamente da mesma forma em todas as pessoas.

 

  1. Vulnerabilidade do tecido adiposo e do seu microambiente

Esta é uma das componentes do modelo para a qual já existe evidência obtida diretamente em pessoas e tecidos com lipedema.

Estudos têm identificado alterações relacionadas com:

  • aumento do tamanho dos adipócitos;
  • remodelação da matriz extracelular;
  • fibrose;
  • inflamação;
  • microvasculatura;
  • função endotelial;
  • composição do líquido intersticial;
  • características metabólicas do tecido adiposo.

Isto significa que existem razões científicas para investigar o lipedema não apenas como uma alteração da quantidade ou distribuição de tecido adiposo, mas também como uma possível alteração do funcionamento e organização do próprio microambiente tecidular (ver glossário).

No entanto, permanece uma pergunta fundamental: qual destas alterações surge primeiro?

Ainda não sabemos.

Também não sabemos se existe uma sequência única de acontecimentos aplicável a todas as pessoas com lipedema.

 

  1. Hormonas: uma relação importante, mas mais complexa do que “ter estrogénio a mais”

A relação entre lipedema e hormonas é uma das áreas que há muito desperta interesse.

O início ou agravamento da doença é frequentemente associado a períodos de importantes alterações hormonais na vida da mulher, nomeadamente: puberdade/ gravidez /menopausa.

Uma revisão sistemática independente publicada em janeiro de 2026 analisou precisamente a literatura existente sobre hormonas e desenvolvimento do lipedema.

Depois da seleção dos estudos, apenas 15 publicações cumpriram os critérios definidos pelos investigadores. Foram identificadas diferentes hipóteses envolvendo desequilíbrios hormonais, metabolismo, células do tecido adiposo e alterações na sinalização dos estrogénios.

Este resultado é simultaneamente interessante e revelador: há sinais suficientes para justificar a investigação hormonal, mas a quantidade de evidência disponível continua limitada.

Por isso, não é cientificamente correto transformar esta associação numa frase simplificada como: “As mulheres com lipedema têm estrogénio a mais.”

A questão poderá ser bastante mais complexa.

 

Não importa apenas quanto estrogénio existe no sangue

As células possuem recetores que lhes permitem responder às hormonas.

No caso dos estrogénios, dois dos recetores mais estudados são: ERα – recetor de estrogénio alfa e ERβ – recetor de estrogénio beta.

Os autores propõem que uma alteração no equilíbrio da sinalização entre ERα e ERβ  (ver glossário) possa constituir um dos possíveis mecanismos envolvidos no lipedema.

Mas é fundamental dizer claramente: esta hipótese ainda não está estabelecida como mecanismo causal do lipedema.

O próprio artigo reconhece que a demonstração direta de uma alteração ERα/ERβ em tecido com lipedema continua limitada e que uma parte substancial da biologia que suporta esta proposta é extrapolada de investigação realizada noutras áreas.

Ou seja, é uma hipótese molecular que pode agora ser testada.

Não é ainda uma explicação comprovada da doença.

 

E as hormonas produzidas ou transformadas dentro dos próprios tecidos?

O artigo introduz ainda outro conceito interessante: o metabolismo intracrino das hormonas (ver glossário).

Determinados tecidos conseguem produzir ou transformar localmente hormonas através da ação de diferentes enzimas.

A hipótese é particularmente interessante porque poderia ajudar a explicar uma questão aparentemente contraditória: será possível existir uma resposta hormonal diferente num determinado tecido mesmo quando os níveis hormonais medidos no sangue parecem normais?

Biologicamente, isso é possível.

Mas, no lipedema, esta explicação ainda precisa de ser demonstrada.

Os próprios autores propõem estudos futuros em que sejam simultaneamente analisados tecido adiposo afetado e sangue, precisamente para testar se existe ou não essa diferença entre o ambiente hormonal local e o sistémico.

 

  1. Metabolismo: causa ou amplificador?

A terceira via proposta relaciona-se com o metabolismo.

Aqui existe uma distinção particularmente importante: lipedema não é obesidade.

Mas isso não significa que obesidade concomitante, resistência à insulina, inflamação metabólica, alterações da função mitocondrial, dor ou diminuição da mobilidade não possam influenciar a evolução clínica de algumas pessoas com lipedema.

O modelo propõe que determinados fatores metabólicos possam funcionar sobretudo como amplificadores de processos biológicos já existentes, e não necessariamente como a causa inicial da doença.

Esta distinção é importante porque ajuda a separar duas perguntas:

  • “O que inicia o lipedema?”
  • “O que pode contribuir para agravar ou perpetuar algumas das suas manifestações?”

Ainda precisamos de investigação para responder a ambas.

 

  1. Comorbilidades ginecológicas e endócrinas

A quarta via reúne observações relativas a determinadas condições ginecológicas e endócrinas descritas em algumas populações de pessoas com lipedema.

Entre as situações investigadas encontram-se, por exemplo:

  • alterações menstruais;
  • síndrome dos ovários poliquísticos;
  • miomas;
  • alterações da tiroide;
  • dor pélvica;
  • outras condições hormonais e ginecológicas.

Estas observações são interessantes e justificam investigação.

Mas aqui existe outra regra fundamental da ciência: associação não significa causalidade.

Encontrar duas condições com maior frequência na mesma população não demonstra que uma cause a outra, nem sequer que tenham necessariamente a mesma causa.

Os autores propõem a possibilidade de existir um substrato estromal-endócrino comum capaz de contribuir para diferentes manifestações em tecidos sensíveis às hormonas.

É uma hipótese biologicamente interessante.

Ainda não está demonstrada.

 

E onde entram os sistemas vascular e linfático?

Esta é uma questão especialmente importante.

O novo modelo não exclui o envolvimento vascular ou linfático no lipedema.

Pelo contrário.

Vasos sanguíneos, vasos linfáticos, células adiposas, matriz extracelular, fibroblastos e células imunitárias coexistem e comunicam dentro do mesmo microambiente.

Por isso, os autores consideram que diferentes modelos atualmente investigados – alguns colocando maior ênfase inicialmente no tecido adiposo, outros na microvasculatura ou no sistema linfático – não têm necessariamente de ser mutuamente exclusivos.

Diferentes mecanismos poderão coexistir.

O que ainda não está estabelecido é qual surge primeiro, qual é consequência e qual o peso relativo de cada mecanismo na doença.

Esta é precisamente uma das grandes perguntas que a investigação futura terá de responder.

 

Nem todas as peças deste modelo têm o mesmo nível de evidência

Este é provavelmente um dos aspetos mais importantes do artigo.

Os próprios autores classificam as diferentes componentes do modelo segundo o nível de evidência disponível

Esta distinção/classificação é fundamental.

Na investigação científica existe uma diferença entre dizer:

“Observámos esta alteração em pessoas com lipedema.”

“Encontrámos uma associação entre estes dois fenómenos.”

e

“Propomos que este mecanismo possa explicar aquilo que observámos.”

As três afirmações podem ser cientificamente importantes.

Mas não significam a mesma coisa.

 

E os medicamentos GLP-1/GIP?

O artigo identifica também áreas que poderão justificar investigação terapêutica futura, incluindo vias metabólicas relacionadas com GLP-1/GIP.

Mas é particularmente importante não transformar uma hipótese terapêutica numa recomendação de tratamento.

A possível relevância destas vias para o lipedema é ainda baseada sobretudo em extrapolação mecanística.

O próprio artigo propõe, por exemplo, que seja investigada a expressão do recetor GIP no tecido adiposo de pessoas com lipedema — uma pergunta que ainda necessita de resposta.

Assim:

interesse científico: sim

razão para investigar: sim

tratamento modificador do lipedema demonstrado: não

Este artigo não demonstra que medicamentos GLP-1/GIP tratem ou modifiquem o lipedema e não deve ser utilizado como recomendação terapêutica.

 

Um modelo que também pode ser contrariado pela investigação

Há outro aspeto particularmente positivo nesta proposta.

Os autores não apresentam apenas aquilo que esperariam encontrar se a sua hipótese estivesse correta.

Apresentam também resultados que poderiam enfraquecer ou contrariar o modelo.

Por exemplo, propõem comparar diretamente tecido adiposo com lipedema com tecido de controlo e analisar ERα/ERβ, enzimas envolvidas no metabolismo hormonal, marcadores de fibrose (ver glossário), microvasculatura e outras características.

Se essas diferenças não forem encontradas, determinadas partes da hipótese terão de ser revistas.

Esta é uma característica importante de uma hipótese científica: deve poder ser testada e deve existir a possibilidade de a evidência demonstrar que está errada.

 

Quais são as principais limitações deste trabalho?

Os próprios autores reconhecem várias.

O artigo não é uma revisão sistemática. Foi construída uma pesquisa estruturada da literatura, mas sem aplicação formal da metodologia de uma revisão sistemática.

Os autores reconhecem também que já publicaram anteriormente trabalhos relacionados com algumas das hipóteses agora integradas no modelo e identificam explicitamente o possível risco de viés de confirmação.

Além disso:

  • ainda existe pouca evidência mecanística diretamente obtida em tecidos específicos do lipedema;
  • parte importante da biologia proposta resulta de extrapolações de outras áreas;
  • muitos dados clínicos disponíveis provêm de estudos observacionais;
  • vários estudos foram realizados em centros especializados, podendo não representar toda a população com lipedema;
  • faltam biomarcadores suficientemente validados;
  • não está estabelecida a sequência causal entre as diferentes alterações propostas.

Por isso, os próprios autores são claros: o modelo destina-se a gerar hipóteses de investigação e não constitui uma guideline clínica nem uma recomendação terapêutica.

 

Então, o lipedema é uma doença hormonal?

Com o conhecimento atual, a resposta mais rigorosa é: não podemos reduzir o lipedema a uma “doença hormonal”.

Existe evidência suficiente para considerar as hormonas uma área importante de investigação e existe uma relação clínica relevante com determinadas transições hormonais da vida da mulher.

Mas isso é diferente de afirmar que foi identificada uma alteração hormonal única responsável pelo lipedema.

Talvez a pergunta cientificamente mais interessante seja: porque é que determinados tecidos poderão responder de forma diferente às alterações hormonais em pessoas com lipedema?

É precisamente uma das questões que este modelo pretende ajudar a investigar.

 

Um modelo para investigar – não uma nova definição do lipedema

O interesse deste trabalho está precisamente em tentar organizar, dentro de uma mesma arquitetura, áreas da investigação que frequentemente têm sido estudadas separadamente:

tecido adiposo/ estroma / hormonas /metabolismo / microcirculação  / sistema linfático / matriz extracelular / inflamação / fatores ginecológicos e endócrinos.

Mas é fundamental distinguir aquilo que já foi observado daquilo que ainda é proposto.

Algumas alterações foram identificadas diretamente em pessoas ou tecidos com lipedema.

Algumas relações resultam sobretudo de estudos observacionais.

Outros mecanismos – incluindo alguns dos mecanismos moleculares que procuram ligar estas diferentes dimensões – continuam a ser hipóteses que necessitam de validação experimental.

O modelo também não demonstra que o lipedema seja exclusivamente uma doença hormonal, metabólica, vascular ou linfática.

Pelo contrário, propõe que diferentes dimensões possam interagir dentro de um microambiente biológico comum.

Ainda não sabemos qual delas surge primeiro nem se existe uma única sequência aplicável a todas as pessoas.

 

Na ciência, reconhecer aquilo que ainda não sabemos também é avançar

Para a andLINFA, acompanhar a investigação científica significa divulgar novos conhecimentos, mas também distinguir claramente entre: EVIDÊNCIA / ASSOCIAÇÃO/ HIPÓTESE

O conhecimento sobre o lipedema está a crescer rapidamente.

Este artigo não apresenta a resposta definitiva para explicar a doença.

Apresenta um modelo que permite formular novas perguntas e, sobretudo, propõe formas de as testar.

Serão necessários estudos independentes, investigação em tecidos humanos, biomarcadores validados, estudos longitudinais e ensaios clínicos bem desenhados para perceber quais destes mecanismos são realmente determinantes no lipedema.

Sabemos hoje mais sobre esta doença do que sabíamos há alguns anos.

Mas ainda temos muito para aprender.

E reconhecer aquilo que ainda não sabemos não diminui o conhecimento científico – é precisamente o que permite fazê-lo avançar.

Nota da andLINFA: Este artigo tem finalidade informativa e de divulgação científica. As hipóteses e potenciais alvos terapêuticos discutidos não constituem recomendações clínicas nem substituem a avaliação individual por profissionais de saúde.

Pequeno glossário

Adipócito
Célula especializada no armazenamento de gordura. É uma das principais células que constituem o tecido adiposo.

Tecido adiposo subcutâneo
Tecido adiposo localizado debaixo da pele. É neste compartimento que ocorre a acumulação desproporcionada característica do lipedema.

Estroma
Conjunto de células, estruturas e matriz que sustentam e organizam um tecido. Podemos imaginá-lo como parte do “ambiente” onde as células vivem e comunicam.

Microambiente tecidular
Ambiente existente dentro de um tecido, formado pelas diferentes células, vasos, matriz extracelular (ver glossário) e moléculas que comunicam entre si.

Matriz extracelular (ECM)
Rede de proteínas e outras moléculas que existe entre as células e que ajuda a dar estrutura, suporte e propriedades mecânicas aos tecidos.

Fibrose
Aumento ou reorganização excessiva de componentes fibrosos de um tecido, podendo torná-lo mais rígido.

Microcirculação
Conjunto dos vasos sanguíneos de menor dimensão responsáveis pelas trocas entre o sangue e os tecidos.

Endotélio
Camada de células que reveste internamente os vasos sanguíneos e linfáticos.

Intracrino / metabolismo intracrino
Processo através do qual determinadas hormonas são produzidas ou transformadas localmente dentro de um tecido, podendo atuar nesse próprio ambiente sem depender exclusivamente das concentrações hormonais existentes no sangue.

ERα e ERβ
Recetor de estrogénio alfa e recetor de estrogénio beta. São proteínas através das quais os estrogénios podem exercer parte dos seus efeitos nas células.

Aromatase
Enzima envolvida na produção de estrogénios a partir de outras hormonas esteroides.

17β-HSD
Família de enzimas envolvidas na transformação local de diferentes hormonas esteroides.

AKR1C1
Gene/enzima envolvido no metabolismo de hormonas esteroides. A sua eventual relevância no lipedema continua a ser investigada.

Comorbilidade
Outra doença ou condição que ocorre na mesma pessoa. A existência de duas condições em simultâneo não significa necessariamente que uma seja causa da outra.

Biomarcador
Característica biológica que pode ser medida — por exemplo, numa análise de sangue, tecido ou exame de imagem — e que poderá ajudar a identificar ou acompanhar determinado processo biológico ou doença.

Estudo observacional
Estudo em que os investigadores observam características ou acontecimentos numa população sem introduzirem experimentalmente uma intervenção. Pode identificar associações, mas nem sempre permite demonstrar causa e efeito.

Extrapolação mecanística
Utilização de um mecanismo conhecido noutra doença, tecido ou contexto para formular uma hipótese sobre o que poderá acontecer no lipedema. É um ponto de partida para investigação, não uma demonstração.

Hipótese científica
Explicação proposta para determinado fenómeno que deve poder ser testada através de investigação e que pode ser confirmada, modificada ou rejeitada pelos resultados.

Fontes e leitura adicional

Viana DPC, Invitti AL, Schor E. (2026). Lipedema as a hormone-sensitive stromal disorder: a four-pathway translational framework. Frontiers in Cell and Developmental Biology, 14:1903835. DOI: 10.3389/fcell.2026.1903835.
Artigo original, publicado a 22 de julho de 2026. É classificado como “Hypothesis and Theory” e apresenta o modelo das quatro vias, os níveis de evidência e as suas limitações.

Lüchinger JE, Pavicic E, Giachino CL, Stute P. (2026). Impact of hormones on lipedema development: a systematic literature review. Archives of Gynecology and Obstetrics, 313:60. DOI: 10.1007/s00404-026-08318-1.
Revisão sistemática independente sobre a relação entre hormonas e mecanismos fisiopatológicos propostos para o lipedema. Foram incluídas 15 publicações.

Kruppa P, Crescenzi R, Faerber G, Forner-Cordero I, Cornely M, Shayan R, et al. (2026). Lipedema World Alliance Delphi consensus-based position paper on the definition and management of lipedema: results from the 2023 Lipedema World Congress in Potsdam. Nature Communications, 17:427. DOI: 10.1038/s41467-025-68232-z.
Consenso internacional baseado no método Delphi sobre definição e abordagem do lipedema.

Al-Ghadban S, et al. (2019). Estudo histológico de tecido adiposo de pessoas com lipedema que identificou alterações relacionadas com adipócitos, inflamação e componentes microvasculares/linfáticos.

Crescenzi R, et al. (2020). Upper and lower extremity measurement of tissue sodium and fat content in patients with lipedema. Obesity, 28:907–915.
Investigação por imagem das características dos tecidos em pessoas com lipedema.

Nono Nankam PA, Cornely M, Klöting N, Blüher M. (2022). Is subcutaneous adipose tissue expansion in people living with lipedema healthier and reflected by circulating parameters? Frontiers in Endocrinology, 13:1000094.
Estudo sobre características metabólicas e inflamatórias do tecido adiposo no lipedema.

Michelini S, et al. (2025). Endothelial cell alterations in capillaries of adipose tissue from patients affected by lipedema. Obesity, 33:695–708.
Estudo sobre alterações das células endoteliais dos capilares no tecido adiposo de pessoas com lipedema.

MATERIAL DE APOIO: