
Compressão terapêutica: quando as medidas fazem toda a diferença
2026-10-14
Em 2021, os doentes europeus já alertavam para estas dificuldades
Para muitas pessoas que vivem com linfedema, a compressão terapêutica faz parte dos cuidados diários. No entanto, conseguir um dispositivo adequado, confortável e corretamente ajustado continua a representar um desafio.
E este problema não é exclusivo de Portugal.
Em 2021, um inquérito europeu revelou dificuldades significativas no acesso aos dispositivos de compressão, com resultados que merecem continuar a ser recordados:
- 55% dos doentes inquiridos referiram dificuldades na obtenção de vestuário de compressão.
- 59% identificaram dificuldades relacionadas com três questões fundamentais:
- O custo dos dispositivos;
- As diferenças entre as medidas efetuadas ao portador de linfedema e as medidas do vestuário de compressão, posteriormente entregue;
- A obtenção da prescrição médica.
Estes resultados evidenciaram dificuldades comuns a diferentes países europeus e reforçaram a necessidade de reconhecer que o acesso à compressão terapêutica vai muito além da simples aquisição de um dispositivo.
Na altura, foi feito um apelo aos diferentes intervenientes – profissionais de saúde, fabricantes, fornecedores, decisores e associações de doentes – para que trabalhassem em conjunto na identificação de soluções.
Foi igualmente sublinhado que dispositivos de compressão adequados, corretamente ajustados e renovados atempadamente podem contribuir para reduzir riscos para a saúde e melhorar a qualidade de vida das pessoas que deles necessitam.
Cinco anos depois, estas recomendações continuam pertinentes.
Em particular, uma das dificuldades identificadas em 2021 merece especial atenção: a diferença entre as medidas realizadas e o dispositivo de compressão que o doente acaba por receber.
Porque uma meia feita por medida nem sempre é uma meia bem ajustada.
Linfedema primário: quando a experiência de quem tira as medidas faz toda a diferença
Um testemunho sobre a importância da medição rigorosa, da competência profissional e da adaptação individual dos dispositivos de compressão
Para quem vive com linfedema, a compressão terapêutica faz frequentemente parte dos cuidados diários. Mas quem utiliza meias de compressão feitas por medida sabe que nem sempre o resultado corresponde às expectativas.
Uma meia pode ser de excelente qualidade e, ainda assim, apresentar problemas de ajuste, provocar desconforto ou exercer pressão excessiva em determinadas zonas.
É por isso que a escolha do dispositivo de compressão e a competência de quem realiza as medições são igualmente importantes.
Partilhamos uma experiência pessoal de alguém que vive há muitos anos com linfedema primário e que encontrou, finalmente, uma combinação particularmente bem-sucedida entre o dispositivo escolhido e o rigor da medição.
Um testemunho: da medição ao resultado final
«Todos os que vivemos com linfedema sabemos que mandar fazer meias de compressão por medida pode ser um verdadeiro pesadelo.
Depois de tantos anos de experiência, aprendemos a reconhecer a diferença entre alguém que simplesmente tira medidas e um profissional que demonstra conhecimento, segurança e verdadeira destreza.
Foi isso que senti quando Laura Albiach, da Ortopedia del Mediterráneo, em Valência, Espanha, começou a tirar-me as medidas.
A precisão e a confiança com que realizou todo o processo fizeram-me acreditar que, desta vez, o resultado poderia ser diferente. Gostaria até de ter filmado a sua destreza, porque teria sido a melhor forma de demonstrar a importância da experiência profissional.
E as meias chegaram!
Eram da JOBST, uma marca cuja textura e características sempre considerei particularmente adequadas ao meu linfedema primário e que, infelizmente, continuo a não conseguir adquirir em Portugal.
O resultado superou as minhas expectativas: meias feitas à primeira, extremamente confortáveis, bem ajustadas e sem qualquer ponto a garrotear.
Para quem utiliza compressão todos os dias, isto não é um pequeno detalhe. É uma enorme diferença na forma como vivemos com a doença.
Finalmente, a qualidade do dispositivo e a competência de quem tirou as medidas encontraram-se no mesmo resultado.
Um agradecimento muito especial à Laura Albiach, pelo profissionalismo e pela confiança que me transmitiu desde o primeiro momento.
Um sonho cumprido!»
Manuela Lourenço Marques – pessoa que vive com linfedema primário e Presidente da andLINFA.
O que podemos aprender com esta experiência?
Este testemunho permite reforçar várias mensagens importantes sobre a compressão terapêutica.
1. Uma meia feita por medida não é necessariamente uma meia bem ajustada.
O fabrico individualizado depende da qualidade das medições, da identificação dos pontos anatómicos, da avaliação da forma e das características do membro e da correta transmissão das informações ao fabricante.
2. A experiência do profissional é determinante.
A medição de um membro com linfedema pode ser particularmente exigente devido a alterações de volume, assimetrias, pregas cutâneas e diferenças de consistência dos tecidos.
Não se trata apenas de registar perímetros. É necessário compreender como o dispositivo se deverá adaptar ao membro e acompanhar a pessoa no seu quotidiano.
3. A qualidade da compressão não depende apenas da marca.
A escolha da malha, da classe de compressão, do modelo e das características do dispositivo deve corresponder às necessidades clínicas individuais.
Neste caso, a experiência com a JOBST foi excelente. No entanto, não significa que a mesma marca ou modelo seja a solução mais adequada para todas as pessoas com linfedema.
4. O conforto e a ausência de pontos de constrição são fundamentais.
Uma meia não deve criar zonas de pressão localizada excessiva, pregas ou efeitos de garroteamento. A dor, as marcas persistentes e as alterações da pele devem motivar uma reavaliação do ajuste.
5. A prova final é tão importante como a medição inicial.
É fundamental verificar como a meia assenta, se existem zonas de desconforto e se a pessoa consegue utilizá-la corretamente. Mesmo quando o resultado inicial é excelente, a adequação clínica e a evolução do edema devem continuar a ser acompanhadas.
Cinco anos depois, o desafio continua
O testemunho agora partilhado permite ilustrar uma das questões identificadas no inquérito europeu de 2021: a importância de garantir que as medições realizadas se traduzem em dispositivos efetivamente adaptados às necessidades de cada pessoa.
Embora os resultados daquele inquérito não permitam quantificar a situação atual, as experiências que continuam a ser relatadas mostram a pertinência de manter este tema na agenda.
A andLINFA considera fundamental que todos os intervenientes reconheçam as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que dependem da compressão terapêutica para gerir uma doença crónica.
É necessário continuar a trabalhar para:
- Melhorar o acesso a dispositivos de compressão adequados e financeiramente acessíveis;
- Promover a formação e a competência técnica dos profissionais responsáveis pelas medições;
- Garantir que os dispositivos entregues correspondem às características e medidas necessárias;
- Facilitar os processos de prescrição, acompanhamento e renovação;
- Envolver as associações de doentes na identificação de problemas e na construção de soluções.
A compressão terapêutica não deve ser entendida apenas como a aquisição de um produto. É parte integrante de um processo de cuidados que exige avaliação, escolha adequada, medição rigorosa, adaptação individual, acompanhamento e renovação atempada.
Compressão terapêutica: informar para escolher melhor
A andLINFA tem vindo a reforçar a importância de compreender os diferentes dispositivos de compressão, as suas características e os cuidados necessários à sua utilização.
Este testemunho vem acrescentar uma dimensão essencial: não basta ter acesso a um bom dispositivo. É indispensável garantir uma avaliação individualizada e medições rigorosas realizadas por profissionais com formação e experiência.
Convidamos à leitura da informação anteriormente disponibilizada no nosso site, onde são apresentados os resultados do inquérito europeu de 2021 e as preocupações então identificadas:
Dispositivos de compressão e sobpressão – andLINFA
A experiência aqui partilhada é individual e não constitui uma avaliação clínica comparativa de marcas ou fabricantes. A escolha e a utilização de compressão terapêutica devem respeitar a indicação médica e a avaliação de profissionais de saúde qualificados.
Porque, quando falamos de compressão terapêutica, cada medida conta. E quem tira as medidas também é fundamental no resultado final.