
Outubro Rosa: reconhecer o linfedema e cuidar todos os dias
2026-10-01
Neste Outubro Rosa, a andLINFA chama a atenção para o linfedema secundário, uma possível sequela dos tratamentos do cancro da mama. Conhecer o risco, reconhecer os primeiros sinais e procurar avaliação são cuidados que devem manter-se durante todo o ano.
A remoção de gânglios linfáticos e a radioterapia são tratamentos importantes no combate ao cancro da mama. No entanto, podem também afetar o funcionamento do sistema linfático e aumentar o risco de desenvolver linfedema.
Esta condição não surge em todas as pessoas que realizam estes tratamentos. Ainda assim, a informação sobre o risco e os sinais a observar deve fazer parte do acompanhamento, desde a preparação para os tratamentos até aos cuidados a longo prazo.
O que é o linfedema secundário?
O sistema linfático ajuda a recolher e a transportar o excesso de líquido dos tecidos. Quando os seus vasos ou gânglios são danificados ou removidos, essa drenagem pode ficar comprometida, provocando acumulação de líquido e inchaço.
Quando resulta de uma causa adquirida, como uma cirurgia ou radioterapia, designa-se linfedema secundário.
Após os tratamentos do cancro da mama, pode afetar o braço, a mão, a mama ou a região torácica do lado tratado. Pode surgir pouco tempo depois dos tratamentos ou manifestar-se meses e até anos mais tarde.
Que sinais merecem atenção?
O linfedema pode desenvolver-se gradualmente. Entre as alterações que devem ser comunicadas à equipa de saúde estão:
- Inchaço no braço, na mão, na mama ou na região torácica;
- Sensação de peso, tensão ou aperto;
- Alterações no volume ou na consistência dos tecidos;
- Maior dificuldade em movimentar o braço;
- Roupa, anéis ou relógio que começam a ficar mais apertados.
Estes sinais não confirmam, por si só, a existência de linfedema. Precisam de avaliação para esclarecer a sua causa e orientar os cuidados.
Identificar cedo para tratar e ajudar a evitar a progressão
Não é necessário esperar que o inchaço seja evidente ou que interfira com as atividades diárias para procurar ajuda.
A identificação precoce permite iniciar os cuidados adequados numa fase em que o linfedema pode ser mais fácil de controlar. O objetivo é reduzir o inchaço e o desconforto, preservar a mobilidade e ajudar a evitar o agravamento da condição.
O linfedema é uma condição crónica, mas pode ser tratado e controlado. O plano de cuidados deve ser individualizado e orientado por profissionais de saúde com experiência nesta área.
Consoante a avaliação, pode incluir compressão adequada, exercício e movimento, cuidados com a pele e outras medidas terapêuticas. A aprendizagem de estratégias de autocuidado e o acompanhamento regular são também importantes.
Uma atenção que deve continuar ao longo do tempo
O fim dos tratamentos oncológicos não elimina o risco de linfedema. Por isso, é importante continuar atento às alterações do corpo e saber a quem recorrer.
Se realizou cirurgia com remoção de gânglios linfáticos ou radioterapia, pergunte à sua equipa de saúde qual é o seu risco, que sinais deve observar e como pode obter avaliação caso surjam alterações.
Se notar inchaço, peso ou aperto, fale com a sua equipa de saúde. Não espere que os sintomas se agravem.
O compromisso da andLINFA
Na andLINFA, defendemos que a informação sobre o linfedema, a identificação precoce e o acesso a cuidados adequados devem fazer parte do percurso de acompanhamento das pessoas com cancro da mama.
Neste Outubro Rosa, queremos dar visibilidade também às possíveis sequelas dos tratamentos e às necessidades de quem vive com elas.
Reconhecer cedo. Cuidar todos os dias. Em outubro e durante todo o ano.